Capital tem estimativa de 65,76 novos casos para cada 100 mil mulheres, ante 47,41 no Estado; campanha prevê até três mil mamografias e intensificação da busca ativa nas 72 unidades de saúde da família
Cuiabá apresenta uma incidência estimada de câncer de mama superior à média de Mato Grosso em 2026. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam a previsão de 240 novos casos na Capital, o equivalente a 65,76 diagnósticos para cada 100 mil mulheres. No Estado, são esperados 930 casos, com taxa bruta estimada em 47,41 por 100 mil.
A diferença coloca em evidência a importância do diagnóstico precoce justamente durante o “Outubro Rosa”, mês de mobilização para prevenção e conscientização sobre o câncer de mama.
Em Cuiabá, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) preparou uma série de ações durante outubro, envolvendo desde as unidades de saúde da família (USFs) até serviços especializados e hospitalares. Um dos principais destaques será a oferta de até três mil mamografias, além da realização de ultrassonografias de mama e pelve.
Os exames, porém, não serão feitos por livre demanda. Conforme a SMS, mamografias e ultrassonografias seguirão o fluxo da regulação municipal e serão destinadas às pacientes que já estão inseridas na fila e aguardam atendimento, de acordo com o agendamento.
Ao longo do mês, a programação também inclui exames preventivos, vacinação, testagem para Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), orientações e acompanhamento das pacientes.
BUSCA ATIVA EM 72 UNIDADES – As equipes das 72 unidades de saúde da família deverão intensificar a busca ativa por mulheres que estejam com cuidados preventivos pendentes.
Uma das prioridades são mulheres entre 25 e 64 anos que precisam atualizar o rastreamento do câncer do colo do útero. Elas receberão acolhimento e orientação e poderão realizar a coleta do exame citopatológico, de acordo com os protocolos adotados pela rede.
Outra frente será direcionada às mulheres entre 50 e 74 anos, faixa etária indicada na programação municipal para o rastreamento por mamografia.
“As equipes vão orientar as pacientes e organizar os encaminhamentos necessários, incluindo solicitação, regulação, avaliação dos resultados e continuidade do cuidado”, informou a SMS.
A situação vacinal contra o HPV também será verificada. As unidades deverão promover ainda atividades educativas sobre prevenção, sinais de alerta e importância do rastreamento dos cânceres de mama e do colo do útero.
ATENDIMENTO NO PRONTO-SOCORRO – A campanha chegará ainda ao Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá (HPSMC). No local, estão previstas avaliações das condições de saúde bucal e orientações para pacientes internadas que estejam em investigação, tenham diagnóstico confirmado, estejam em tratamento ou em acompanhamento após o câncer.
A estratégia da Secretaria de Saúde é utilizar diferentes pontos da rede para ampliar o acesso à informação e identificar mulheres que precisam retomar exames ou dar continuidade à investigação de alterações já detectadas.
O diagnóstico precoce é considerado um dos pontos fundamentais no enfrentamento da doença, permitindo que casos sejam identificados em estágios iniciais e encaminhados para tratamento.
78,6 MIL NOVOS CASOS POR ANO – A dimensão do problema também aparece nas projeções nacionais. Conforme a publicação “Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil”, do Inca, o país deverá registrar aproximadamente 78.610 novos casos de câncer de mama por ano durante o triênio. O risco estimado é de 71,57 casos para cada 100 mil mulheres.
Desconsiderando os tumores de pele não melanoma, o câncer de mama é o tipo de tumor mais incidente entre as mulheres e ocupa a segunda posição considerando a população em geral.
Embora a ocorrência seja maior depois dos 50 anos, associada, entre outros fatores, às alterações biológicas decorrentes do envelhecimento e ao acúmulo de exposições hormonais, especialistas também têm observado aumento de diagnósticos entre mulheres mais jovens.
As razões para o crescimento entre pacientes com menos de 40 anos ainda não são completamente conhecidas. Entre os fatores associados estão predisposição genética hereditária, questões hormonais e hábitos relacionados ao estilo de vida.
Em Cuiabá, a campanha deste mês procura atuar justamente na identificação precoce e na recuperação de mulheres que estejam com exames preventivos atrasados, utilizando a estrutura das 72 unidades de saúde da família como porta de entrada para o acompanhamento.



